Novembro doce

O mês de novembro é o interlúdio entre a segunda metade do ano e o espanto do fim. Os panetones já estão nas prateleiras dos supermercados (quiçá farmácias) a preços exorbitantes. Algumas casas já se adiantam nos enfeites e piscas-piscas. O corre-corre fica até mais medonho.

É o mês que nos joga na cara que o ano voou e que ainda tem muita resolução pendente no fundo da gaveta, e que pelo visto terão que ser reescritas em papel novo (se ainda és adepto dos pedidos analógicos, o que humildemente duvido muito).

Os dias de novembro ruflam: dos finados à proclamação à consciência à véspera do meu aniversário. Nem dá pra piscar! No calendário há apenas duas folhinhas de resto, e depois fim, e recomeço.

Novembro é o mês da garganta inflamada: culpa do indeciso clima amazônico entre temporais e gotas de sol escaldante.

Novembro é pra dizer: ”sobrevivi. avante!”.

Luiz

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A inclusão social do surdo pode (e deve) começar na escola

A pessoa surda tem o direito de exercer plenamente a sua cidadania como qualquer pessoa ouvinte (como são chamados, na cultura surda, aqueles que ouvem). Antes disso, é preciso que os ouvintes parem de enxergar os surdos como incapazes. A educação, sem dúvidas, é um aliado e tanto nessa empreitada.

A dita ”superioridade ouvinte” se dá através de ideias cristalizadas que às vezes, sem notar, temos a respeito dos surdos, como a de que eles são incapazes de fazer atividades cotidianas, tipo, votar, estudar ou até mesmo passear no shopping sozinho.

No entanto, se olharmos bem, a única diferença entre alguém que ouve e não ouve é a maneira de enxergar o mundo à sua volta. O ouvinte percebe o mundo através da audição e da oralidade; o surdo através dos olhos, das mãos e da linguagem corporal.

Só mesmo por meio da conscientização (um trabalho árduo, porém necessário) os ouvintes aos poucos passarão a enxergar os surdos não como “incompletos”, mas, como sujeitos capazes, apenas diferentes.

Cultura surda

Além disso, não podemos ignorar o fato de que os surdos têm uma cultura própria, ou seja, um conjunto de artefatos que ajudam a construir a identidade de um sujeito surdo. A língua de sinais é um exemplo de artefato cultural, pois é por meio dela que os surdos se comunicam com os seus pares ou com os ouvintes que saibam se comunicar em sinais.

Há vários artefatos culturais, mas quero destacar um muito interessante: a literatura surda. Através da literatura em língua de sinais nos seus mais variados gêneros (poesia, história dos surdos, piadas, literatura infantil, contos, romances, lendas e outras manifestações culturais) o autor surdo se expressa artisticamente.

Grande parte dessas narrativas em língua de sinais tem sido gravadas em vídeos, CDs e DVDs. Clássicos da literatura mundial ganham uma releitura peculiar, como “Cinderela Surda”, de Carolina Hessel, Fabiano Rosa e Lodenir Karnopp e, assim, é dado às crianças surdas a oportunidade de se identificarem com uma narrativa popular entre os ouvintes.

Capa do livro ”Cinderela Surda”: no lugar do sapato de cristal, Cinderela perde uma das luvas, uma referência às mãos, amplamente utilizadas pelos surdos do mundo inteiro para se comunicar.

Além de narrativas originais e releituras, vale destacar também a adaptação de obras literárias para a linguagem de sinais, como as obras de Machado de Assis.

Orgulho surdo

Mesmo assim, as mudanças começam entre os próprios surdos. Concordo com McCleary (2003) quando ele diz que o primeiro passo para as mudanças acontecerem será quando o próprio surdo enfim se libertar do estigma de sentir-se “um peixe fora d’água” e passar a ter orgulho de ser o que é. E orgulho nesse contexto está longe de ser arrogância ou mesmo um tipo de distanciamento dos demais indivíduos (os ouvintes), mas de um ato de afirmação pessoal e de autoestima.

É preciso redefinir o que é ser surdo, e isso deve ser construído pela própria comunidade surda: os surdos se orgulhando de ser o que são é um passo importante para que eles mesmos não se coloquem à margem da sociedade.

Avanços: poucos, mas significativos

Aos poucos os surdos têm recebido atenção da mídia, dos produtos culturais (filmes com legendas para surdos, por exemplo), do mercado de trabalho, das igrejas, das universidades, das escolas etc. De forma tímida, é verdade, mas significativa se compararmos com décadas passadas.

Os preconceitos ainda existem, é claro. Surdos ainda sofrem constrangimentos de ouvintes no cotidiano quando olham para eles como “coitadinhos”. Porém, a publicação de livros a respeito do assunto, a realização de palestras sobre surdez nas escolas e nas universidades já é um bom começo para que os ouvintes passem a enxergá-los enquanto membros da sociedade, com os mesmos direitos e deveres.

Também, as diversas palestras sobre a educação dos surdos e a disciplina de Língua Brasileira de Sinais (Libras) ser incluída na grade curricular obrigatória de muitos cursos de licenciatura, ou pelo menos ser oferecida como disciplina optativa, tem feito com que os futuros professores olhem os surdos com outros olhos. Não mais com espanto, mas pelo menos com mais respeito e inclusão.

Na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por exemplo, onde tive a oportunidade de ter um contato direto e constante com a língua de sinais e com informações gerais a respeito dos surdos, isso é uma realidade já há algum tempo.

Scantbelruy (2010) diz, em apostila desenvolvida para servir de apoio didático-pedagógico nas aulas, que a Ufam começou a ofertar a disciplina ”Libras” de forma regular em 2010 após concurso e contratação de seis professores efetivos, sendo cinco em Manaus, no Departamento de Língua e Literatura Portuguesa e um na Unidade de Itacoatiara.

Escola inclusiva

Não tenho dúvidas de que a escola e a universidade são espaços privilegiados para a desmistificação da surdez, haja vista que é muito comum os alunos surdos estarem matriculados na mesma classe que alunos ouvintes; e para que eles não se sintam prejudicados no seu aprendizado, ou mesmo isolados dos outros colegas de classe, é necessário que o professor e até o corpo técnico da escola tenha pelo menos um conhecimento básico de Libras para atender esses alunos da melhor forma possível.

E seria deveras interessante também se Libras fosse ofertada nas escolas (nem se fosse em formato de oficina), pois assim os alunos ouvintes teriam a oportunidade de um contato com a língua de sinais e consequentemente poderiam se comunicar melhor, nem que fosse de uma forma básica, com seus colegas surdos.

É claro, sejamos realistas, no geral o sistema educacional brasileiro não está pronto para receber um aluno surdo, e dificuldades e resistências diante do diferente sempre existirão, mas a preparação dos futuros educadores já é um bom começo para que as mudanças comecem a acontecer.

Até porque não há espaço melhor para promover a inclusão social do que o ambiente escolar.

”Obrigado!”

Referências

McCLEARY, Leland. (2003) O Orgulho de ser surdo. In: ENCONTRO PAULISTA ENTRE INTÉRPRETES E SURDOS, 1, (17 de maio) 2003, São Paulo: FENEIS- SP [Local: Faculdade Sant’Anna].

SCANTBELRUY, Iranvith Cavalcante. Libras: Língua Brasileira de Sinais. [S.l.: s. n.]. [entre 2001 e 2010]

*Esse artigo foi fruto de minhas leituras e reflexões durante o curso optativo ”Língua Brasileira de Sinais B”, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ministrado pelo professor Iranvith Scantbelruy, um ouvinte apaixonado por libras.

Luiz

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Das nossas ofertas

A gente faz o possível pra viver em paz com todos, mas nem sempre dá porque o outro às vezes tem questões mal resolvidas n’alma. E não temos controle sobre a maturidade alheia ou a forma como alguém enxerga as situações da vida. E está tudo bem.

A gente levanta a bandeira branca, e diante de eventuais negativas, podemos seguir tranquilos. A nossa parte foi feita. 

(eu pessoalmente prefiro guardar dinheiro pra viajar do que guardar ranços. Mais negócio).

Inimizades? Picuinhas desnecessárias? Tô fora! Pego a minha paz de espírito e vou embora. Com uma certeza: cada um oferece aquilo que transborda dentro de si.

leve uma verdade, @

Luiz

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Manual do bom político vazio

Quanto menos um político tiver o que propor de relevante mais falará de moral, família, deus, pátria. Conceitos amplos que mobilizam afetos, atiçam paixões, hipertrofia ódios ocultos nos recônditos da alma de algumas pessoas.

Esses tais ‘messias de gravata’ falam de políticas públicas, ajustes econômicos, reformas política e tributária, urbanismo, saúde pública, educação, investimentos em ciência e tecnologia? Não! Podem reparar! O assunto é só deus, família, pátria, moral.

A estratégia é clara: em muleta discursiva que mantém esses distintos em alta não se mexe.

Se por acaso, em uma realidade paralela, baleias despertassem o interesse das massas, adivinha, eles só falariam de baleias.

Simples assim.

Luiz

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Intolerância só com a intolerância (não danço a lambada da censura)

Travesti de lambada e deusa das águas, de Bia Leite, 2013 – uma das obras da exposição Queermuseu. Baseada em um tumblr criado em 2012 chamado ”Criança Viada”, em que adultos mandavam fotos pessoais da infância em poses inusitadas (tudo devidamente autorizado pelos próprios, claro)

A última maior polêmica de todos os tempos da última semana envolveu a exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, em cartaz há quase um mês no Santander Cultural, em Porto Alegre, que foi cancelada após uma onda de protestos nas redes sociais encabeçado por grupos organizados. A maioria se queixava de que algumas das obras promoviam ”blasfêmia contra símbolos religiosos e também apologia à zoofilia e pedofilia”.

A mostra, com curadoria de Gaudêncio Fidelis, reunia 270 trabalhos de 85 artistas que abordavam a temática LGBT, questões de gênero e de diversidade sexual. As obras – que percorrem o período histórico de meados do século XX até os dias de hoje – são assinadas por artistas conhecidos internacionalmente como Adriana Varejão, Cândido Portinari, Fernando Baril, Hudinilson Jr., Lygia Clark, Leonilson e Yuri Firmesa.

Não vou entrar no mérito da exposição Queermuseu em si por um motivo muito simples: eu não visitei. Até porque a tal exposição não aconteceu em Manaus. Se fosse, acredite, eu teria ido pessoalmente pra tirar as minhas próprias conclusões. Principalmente porque quando me deparo com histeria coletiva em redes sociais envolvendo recortes descontextualizados, vídeos escandalosamente editados e memes apocalípticos, já fico muito desconfiado (não confio em memes que se levam a sério).

Os ataques ferozes contra essa exposição de arte, pelo que pude notar, foram motivados por dois temas que ainda são considerados tabus pela sociedade brasileira: a religião e a diversidade sexual. Dois temas causadores de discussões intermináveis em fóruns nas redes sociais.

Ok. As críticas à exposição são mais do que legítimas, pois ninguém é obrigado a gostar de uma obra artística. Certo. E pode-se também criticar o fato de que as pessoas não perceberam que a mostra era para adultos. Ok também. Acho deveras importante orientar as pessoas acerca de qual faixa etária é recomendada o consumo de determinado produto cultural (só lembro dos pais que levaram seus rebentos ao cinema para assistir a uma animação pornochanchada chamada Festa da Salsicha (kkk). Pesquisar sobre um filme (ou exposição) faz bem, viu, senhores pais e responsáveis!)

O que não é tolerável é que uma exposição com obras de autores mundialmente reconhecidos seja pressionada a ser cancelada pelos organizadores. Aí o alerta vermelho precisa ser acionado.

Tratava-se de uma exposição que ninguém era obrigado a visitar. E quem compareceu tinha todo o direito de manifestar a sua queixa, desagrado ou entusiasmo – de forma torta ou com embasamento científico, não importa. Faz parte do jogo democrático.

O que não pode, em um país livre, é querer proibir uma manifestação artística. Até porque a fronteira entre a crítica raivosa e a censura é muito sutil (e perigosa), já que todas as intolerâncias costumam ter origem no “não gosto disso” ou ”precisamos proteger algo ou alguém” – um zelo hipócrita usado para atacar aquilo que desagrada alguém, mas que esse alguém não assume de peito aberto (mais cômodo usar as criancinhas como escudo nesses casos).

A História está aí para nos dar essa valiosa lição. O Nazismo não gostava dos judeus e exterminou milhares deles em campos de concentração. Em alguns países de maioria muçulmana, grupos fundamentalistas queimam e destroem templos de minorias religiosas (a religião cristã entre elas). No Brasil, até hoje, terreiros de candomblé são alvos da mesma intolerância religiosa (violenta, na maioria das vezes, tanto no discurso quanto na ação). Ainda hoje, há pessoas que continuam agredindo ou matando gays, lésbicas, trans, bissexuais porque não gostam deles – amparadas no fundamentalismo religioso ou no ódio puro e simples.

E todas essas violências são ancoradas, basicamente, no ”você é diferente de mim, não gosto de você, portanto não deve coexistir comigo”.

E antes que você, caro leitor, ache tais ligações um exagero, alerto: tudo começa no campo do discurso. Na Alemanha nazista, por exemplo, os judeus foram primeiro demonizados, considerados os costas largas de tudo de ruim que havia acontecido aos alemães, antes de serem levados à força aos campos de concentração.

É tudo muito sutil, caro leitor.

Todo ataque à liberdade de expressão é uma porta aberta à intolerância. E, de censura em censura, podemos chegar à barbárie das ditaduras, todas elas implacáveis com as diferenças, sejam elas quais forem.

Por isso, a crítica a uma obra de arte, até mesmo a mais ferina, não pode nunca chegar ao extremo de censurá-la pela força (se bem que a censura fomenta, paradoxalmente, a curiosidade por aquilo que é proibido, enfim).

A arte tem que ser, sim, livre em suas expressões e criações. Não gostou de alguma obra? Pode criticar à vontade ou faça como eu fiz com uma intervenção artística realizada no Largo de São Sebastião, em Manaus, onde um artista se enrolava em panos coloridos, rodeado por uma modesta plateia, enquanto cantava um clássico do Ary Barroso. Fiquei assistindo àquilo uns cinco minutos. Por fim, achei tudo tão confuso e desafinando que caí fora e fui procurar algo pra comer.

Mas em nenhum momento passou pelo meu coração a ideia de retirar aquele artista de lá, silenciá-lo ou proibi-lo de se enrolar naqueles panos enquanto ”assassinava” Aquarela do Brasil. Não mesmo.

Aliás, faço o mesmo com vídeos e textos de gente que prega a intolerância na internet: simplesmente não consumo. Embora não deixe de me posicionar contra os ideias dessas pessoas que jogam contra a evolução de uma sociedade rumo à harmonia, aceitação e respeito entre as diferenças.

Acredito que nada, nem motivos laicos ou religiosos disfarçados de ”nobreza”, deve ser motivo para sacrificar a liberdade. Ou, quando dermos conta, estaremos de volta à escuridão dos porões de uma ditadura.

Ps: bancos estão preocupados é com os lucros, não com a arte e muito menos com a moral e os bons costumes. Aprendam isso, crianças.

Ps2: Agora que a maioria esmagadora da população notou que existem exposições de arte no Brasil, deu até vontade de visitar uma. Aceito convites.

Luiz

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Sol para que te quero!

Esses mormaços que nos castigam no segundo semestre do ano nos obrigam a proteções diárias. Faço cá a minha parte. Sempre que sou forçado a sair da sombra do meu telhado pra encarar o Sol equatorial de Manaus, uso o meu kit de sobrevivência: garrafinha de água, boné, óculos escuros, sombrinha e (por broncas do meu dermatologista) o meu protetor solar.

Acho graça de andar todo protegido por aí e notar que chamo bastante a atenção pelo zelo. Certa vez um senhor me abordou na calçada e perguntou, ”quer virar italiano é?’‘. Pra espanto dele respondi em italiano: ”Ma non c’è bisogno”. Rimos.

Sou todo trabalhado na melanina, mas não é por isso que eu vou me descuidar, oras!

Aliás, usem protetor solar, galera.

Luiz

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Tropecei na ”Miranda!” (e até que foi bom…)

A banda ”Miranda!” em apresentação ”ao vivo” em Santiago (Chile): coloridos, debochados e românticos. Foto: Ignacio Osses

Quem ouve a banda ”Miranda!” pela primeira vez pode sentir uma leve familiaridade com o pop-rock brasileiro dos anos 1980 – algo, sei lá, próximo dos versos grudentos daquela canção da banda ”Sempre Livre”, ”Eu sou free (eu sou free!)/sempre free (sempre free!)/Sou free demais”. Mas não, trata-se de uma banda argentina, nascida em Buenos Aires, em atividade desde 2001, cujo som é definido por eles mesmos como ”electropop melodramático”. Faz sentido até.

O grupo consiste em um dueto liderado por Alejandro Sergi e Juliana Gattas mais uma banda que já teve lá a sua ”dança das cadeiras” (algo até natural pelo tempo de estrada). Eles já lançaram, até aqui, dez álbuns, sendo o mais recente lançado em abril deste ano, chamado ”Fuerte”, que conta com 12 faixas.

Ou seja, uma discografia considerável o suficiente para manter um público fiel na América Latina, exceto no Brasil, onde a banda segue praticamente desconhecida, vide a falta de informações em língua portuguesa a respeito deles (nada de novo no front, os nossos vizinhos são completamente inteirados na música brasileira, enquanto nós costumamos ficar por fora do que é produzido perto de nossas fronteiras – quem sabe após o fenômeno ”Despacito” isso comece a mudar…).

Capa de ”Fuerte”, álbum mais recente da ”Miranda!”

Os descobri quase que ”acidentalmente” em meus mergulhos nas músicas latino-americanas, e achei curioso a existência de uma banda pop eletrônica argentina (ou você conhece outras?). Visualmente, os integrantes da ”Miranda!” são descolados, coloridos, debochados até, o que já é até esperado de uma banda pop. Musicalmente, se diferenciam do ”reggaeton” (gênero muito mais popular nos países vizinhos) pelos flertes com o rock e as batidas mais lentas.

Mas a diferença para por aí. Na temática, estão lá os velhos dissabores amorosos e as juras de amor em forma de canção. Como exemplo, em ”Quiero Vivir a Tu Lado”, single do álbum mais recente, ”Fuerte”, eles cantam: ”Mírame a los ojos otra vez (como a nadie miré)/ Tuve que limpiarte lentamente (de mi piel)/ Ven aqui, sígueme/Solo quiero vivir a tu lado ya ves/Tómalo y si no, déjame”. Ouvindo a gente até sente uma certa nostalgia estranha (oitentista, quem sabe).

Em outra faixa do mesmo álbum, ”Cálido y Rojo”, ouvimos, ‘‘Soy para ti/Que no lo ves?/Abre tus ojos/Estoy aquí/Sé que es amor/Cálido y rojo”. Aqui temos a velha hipérbole passional latina em batidas eletrônicas lentas. Nada mal.

Pra quem gosta de explorar músicas latinas, ”Miranda!” não chega a arrancar suspiros profundos, mas soam agradáveis a ouvidos pouco acostumados com um gênero tão desassociado da primeira impressão que costumamos ter da cultura argentina, no caso, o pop eletrônico.

Deixo cá um dos singles deles:

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