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A palavra é… empoderamento

Empoderamento – a palavra por si só já nos faz erguer um pouco o queixo ao pronunciá-la. O cinema, a propaganda, a literatura, a televisão, a música, as artes plásticas, a dança, os quadrinhos e tantas outras formas de comunicação e arte se tornaram, nos últimos anos, em poderosas ferramentas de empoderamento de indivíduos que até pouco tempo eram apenas coadjuvantes.

Empoderamento é uma das traduções mais aceitas para a palavra inglesa empowerment. Não é preciso pensar muito para descobrir o seu significado: ato ou efeito de empoderar, de “dar poder”.

Tem para todos. Empoderamento de mulheres, de negros, de homossexuais, de indígenas, de usuários da internet, dos que moram nas periferias das grandes cidades, de criadores de coelhos, enfim, definitivamente a palavra está em alta na teoria e na prática.

E foi justamente essa palavra que não me saiu da cabeça quando assisti ao Caça-Fantasmas (2016), reboot de um clássico dos anos 1980. Interessante como a “mudança de sexo” dos protagonistas, tão malvista por alguns fãs (o filme trata de tirar sarro deles), na verdade é exatamente o que torna o filme especial, único, pois se distancia do original ao mesmo tempo que o segue de perto. Feito do diretor Paul Feig, que resgatou todos os elementos que fazem o universo dos caça-fantasmas tão interessante e querido por uma geração. As piadas ácidas, a curiosa forma como os fantasmas são caçados e, é claro, os próprios espectros, brilhantes e coloridos, mais a icônica canção-tema, estão todos lá para o deleite até do fã mais purista.

Não é um filme panfletário, é bom frisar, embora brinque bastante com a reação de alguns fãs quando souberam que seriam “AS” caça-fantasmas. É apenas um filme pipoca provando que mulheres são perfeitamente capazes de protagonizarem as mais loucas aventuras à sessão da tarde. Parece pouco, mas nem tanto. Pensei nas meninas ao me divertir com aquele quarteto feminino caçando fantasmas em Nova York. Sim, as meninas do nosso cotidiano – irmãs, primas, sobrinhas, afilhadas, alunas – e em como essa nova geração tem cada vez mais heroínas para inspirar brincadeiras, fantasias, espelhos.

Um fato do nosso tempo, caros, é que o excluído está aparecendo mais vezes na linha de frente das mídias, está sendo representado e, consequentemente, está sendo empoderado. Todo mundo está tendo a oportunidade de se ver na pele de um herói ou de uma heroína. E isso é bom, muito bom.

Quer alguns queiram ou não, estamos testemunhando uma nova geração crescer nesse ambiente em que todos estão tendo a sua vez de empoderar-se. Não é pouco. Não mesmo.

Depois da sessão, também pensei especificamente no empoderamento feminino, e em como expressões tacanhas, do tipo “você bate como uma menina!”, estão pouco a pouco perdendo a força negativa de outrora. Ou pelo menos suponho que quem diga isso pra diminuir o outro não se incomode em receber um soco da Ronda Rousey.

As caça-fantasmas: da esquerda para a direita, as atrizes Leslie Jones, Melissa McCarthy, Kristen Wiig e Kate McKinnon. A ótima química entre o elenco ajudou o filme a ser uma grata surpresa de verão (imagem: divulgação)

Luiz

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Jurassic World e suas licenças jurássicas

Divulgação

O primeiro “Jurassic Park”, de 1993, causou grande impacto na percepção pública sobre a paleontologia. Os lagartos gigantes e lentos dos filmes de antigamente deram lugar a animais velozes, inteligentes, que viviam e caçavam em bandos. Resumindo, o longa atualizou a opinião pública para o que a ciência conhecia de mais moderno na época. Por conta disso, havia toda uma expectativa em torno do lançamento de “Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros” (2015), o quarto da série, dirigido por Colin Trevorrow, com Steven Spielberg na produção executiva.

Ambientado 22 anos depois dos acontecimentos do original, “Jurassic World” terá um novo “vilão”, um imponente e feroz indominus rex (foto), fruto da união genética entre um tiranossauro rex e um velociraptor – o que nos leva a concluir que os cientistas do parque não aprenderam com os erros do passado e continuaram a “brincar de Deus”.

Contudo, com a divulgação do primeiro trailer, ficou claro que os produtores decidiram ignorar 20 anos de avanços científicos – para frustração dos paleontólogos. Os efeitos especiais ainda são de encher os olhos (a ação também), mas a descrição dos animais continua a mesma do longa-metragem de 1993, como se o conhecimento científico de hoje fosse o mesmo da época do primeiro filme.

Tudo porque, nas últimas décadas, novas descobertas de fósseis, o uso da computação para reconstruir e analisar os animais, assim como os avanços na genética, nos mostram que os dinossauros eram bem diferentes da imagem enraizada na cultura popular. Ou seja, os dinos, segundo a paleontologia moderna, estão mais próximos das aves do que dos lagartos.

Mesmo assim, entre os “dinossauros tradicionais” e a presença de novas descobertas científicas no novo filme da franquia, os produtores optaram por não causar um estranhamento no grande público nem uma possível rejeição se apresentassem “dinos penudos”. A justificativa: “Jurassic World” é uma obra de ficção e, por isso, não tem a obrigação de criar animais cientificamente precisos.

Opinião endossada pelo paleontólogo norte-americano Jack Horner, consultor de todos os filmes “jurássicos”, que, em entrevista à revista Galileu, disse que havia a necessidade de seguir a premissa da primeira obra. “Não podíamos mudar o design dos dinossauros só porque a ciência melhorou”, disse, acrescentando que é impossível um filme de ficção não ter erros. Plausível.

Porém, para os especialistas, não deixa de ser uma pena (sem trocadilho), levando em consideração o impacto que o primeiro filme causou na percepção do público sobre a paleontologia, a pré-história e até sobre a engenharia genética, já que “Jurassic Park” foi uma das poucas obras destinadas ao entretenimento a suscitar, na época do lançamento, um animado debate na imprensa e entre os cientistas sobre se era mesmo possível trazer os dinossauros de volta à vida. Sem contar que o filme despertou em crianças e adolescentes do início da década de 1990 o interesse pela paleontologia e que algumas delas estão hoje caçando fósseis por aí.

Esse embate entre ciência e ficção me lembra uma icônica cena do primeiro filme em que Alan Grant, vivido por Sam Neil, discorre sobre a possibilidade dos dinossauros serem mais próximos das aves que dos répteis até que um garoto interrompe sua preleção com um comentário oportuno: “isso não mete muito medo! Parece um peru de dois metros!”, diz, para irritação do paleontólogo ranzinza.

Não tem como não enxergar nesse garoto os produtores e boa parte dos fãs que preferem ver nas telonas os velhos e queridos dinossauros reptilianos, e deixar os “dinos penudos” para os documentários científicos. Em nome da ficção, do entretenimento e da pipoca. Assim seja.

Escrevi sobre o aniversário de 20 anos de lançamento do primeiro “Jurassic Park” aqui no blog.

Por Yankeetrex

Velociraptor em  “Jurassic Park 3”, de 2001: ainda com aparência de lagarto, mas com peninhas na cabeça. Um flerte com os avanços da paleontologia. Desenho: Yankeetrex.

Luiz

Outra versão dessa reportagem foi publicada no jornal A Crítica, caderno Bem Viver (página BV3), no dia 11 de junho de 2015. E também no Portal A Crítica (AQUI).

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A psicodélica versão animada de “O Hobbit”

Foto: divulgaçãoQuem assistiu à segunda parte da trilogia O hobbit, A desolação de Smaug (2013), deve ter ficado frustrado com aquela interrupção indesejada no clímax. Mas a principal queixa a respeito da segunda parte da trilogia baseada no breve romance infantojuvenil O hobbit (1936), do escritor inglês J.R.R. Tolkien, continua sendo o fato do filme ter sido esticado ao máximo para render três filmes (um problema constatado por nove entre dez críticos e resenhistas). Apesar desse problema, é sempre bom voltar ao rico universo criado por Tolkien. O filme é divertido, as cenas de ação são empolgantes (felizmente, sem descambar para aquela “pirotecnia” à Michael Bay); sem contar que traz uma bem vinda reflexão sobre o poder da ganância de transformar índoles.

Enquanto o tão esperado desfecho da história não chega (“O Hobbit – Lá e de Volta Outra Vez” só estreará em dezembro), não deixe de conferir um curta de animação feito em 1966 pelo ilustrador tcheco Gene Deitch junto com Adolf Born. Essa foi a primeira adaptação do livro de J.R.R. Tolkien em vídeo. O filme tem menos de 12 minutos de duração. Curto, porém, cheio de diferenças em relação ao texto original (o que uma princesa faz nessa jornada inesperada?!). O porquê da adaptação ter ficado “tão curta”, assim como as liberdades criativas presentes na obra, o artista explica bem explicadinho em seu blog pessoal (em inglês).

Sem mais delongas, assista esta obra no vídeo abaixo. Lógico, não é uma animação daquelas que estamos acostumados a assistir, afinal, esse curta foi feito à mão em pouco tempo. Não à toa, parece mais uma apresentação de slides – só que artesanal, sofisticado, psicodélico e sem ursos animados mandando beijos. Divirta-se:

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De volta ao “Jurassic Park”

Divulgação

A minha paixão por filmes não começou no escurinho do cinema; começou na sala de estar de um compadre do meu pai em 1994. Naqueles tempos, Vídeo Home System (VHS) era artigo de luxo e a televisão ainda reinava absoluta como detentora das informações em primeira mão. Então, era comum os vizinhos se reunirem na casa de quem tinha esses luxos para assistir aos filmes recém-chegados nas locadoras.

Foi numa dessas reuniões cinematográficas que o meu pai me levou à casa do compadre. O filme que assistiríamos? “Jurassic Park” (1993) – que no Brasil ficou com o detestável título de “O Parque dos Dinossauros”. Foi paixão à primeira vista. Que filme! Nem a bacia de pipocas que a comadre me trouxe foi capaz de me fazer desgrudar os olhos da telinha. Estava tão imerso naquele universo “fantástico-científico” que pulei de susto naquela clássica cena em que o Velociraptor dá um salto e quase pega a perna da Lex Murphy (interpretada pela Ariana Richards – aquele menina que passa boa parte do filme gritando).

Lançado em 1993, há exatos 20 anos, o filme sobre um parque temático com dinossauros “ressuscitados” em laboratório foi o primeiro a usar animais robóticos animados por computador. Os robôs foram construídos com base em esculturas feitas de madeira e barro (alguns em tamanho real, como o Tyrannosaurus Rex, a estrela do filme). Os movimentos foram criados com a técnica de stop-motion, e cada tomada foi tratada digitalmente para dar vida aos dinossauros.

Assim, pode-se dizer que o feito de Steven Spielberg é semelhante àquele obtido pelos personagens: trazer os dinossauros de volta à vida, passados muitos e muitos anos de sua extinção. Com estilo e com o que havia de melhor, na época, em matéria de tecnologia. Não à toa, o longa é um grande divisor de águas no uso da tecnologia digital no cinema (tão comum atualmente). E convenhamos, “Jurassic Park” ainda consegue impressionar o espectador hoje – o que entrega a “idade” do filme é o figurino dos personagens.

Baseado em um romance do escritor e produtor de filmes, Michael Crichton (1942 – 2008), e estrelado por Sam Neill, Laura Dern e Jeff Goldblum, “Jurassic Park” ganhou três Oscar em 1994 (melhores efeitos visuais, melhor som e melhor edição de som),  e arrecadou 920 milhões de dólares em bilheteria. E foi um dos poucos filmes destinados ao entretenimento a suscitar, na época do lançamento, um animado debate na imprensa e entre os cientistas a respeito da ética na ciência  – os riscos que há quando se “brinca de Deus”, expressão dita pelo doutor Alan Grant (Sam Neill) no terceiro filme – e até mesmo se era realmente possível trazer os dinossauros de volta à vida por meio da engenharia genética.

O sucesso de bilheteria e de crítica foi tanto que o filme rendeu duas continuações, “O Mundo Perdido: Jurassic Park” (1997) e “Jurassic Park III” (2001). As duas continuações eu assisti nas telonas, e até hoje guardo de recordação os ingressos do terceiro filme (quem é fã de alguma coisa entende bem essas manias). Mas, infelizmente, não tive a oportunidade de assistir ao primeiro filme no cinema.

Lembro que, em 2002, quando relançaram “E.T. – O Extraterrestre” (1982), outro sucesso de Steven Spielberg, para comemorar os 20 anos de lançamento, pensei: “tomara que em 2013 relancem Jurassic Park nos cinemas pelo mesmo motivo”.  A boa notícia se confirmou no ano passado quando foi anunciado a volta de “Jurassic Park” aos cinemas em formato 3D e em cores acentuadas, justamente vinte anos depois de revolucionar o mundo dos efeitos especiais.

Mesmo depois de alugar o filme tantas vezes na locadora quando menino e de tantas reprises na TV aberta e fechada, assistir “Jurassic Park” no cinema (e em 3D) será um momento singular e, sem exagero nenhum, especial. E quando as luzes apagarem e a projeção começar com as primeiras notas da inesquecível trilha sonora de John Williams, finalmente poderei riscar esse pequeno desejo da minha lista de atividades que eu preciso fazer antes do último sono. Não pouparei despesas em reviver intensamente uma das melhores experiências da minha infância.

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Os livros voadores do sr.Lessmore

DivulgaçãoAssim diz a sinopse do curta “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” (The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, EUA, 2011), de William Joyce e Brandon Oldenburg, vencedor do Oscar 2012 de Melhor Curta-Metragem de Animação: “é inspirado (…) no amor pelos livros. É uma comovente e humorística alegoria sobre o poder curativo das histórias. Conta a história de Morris Lessmore que um dia voa a um país onde os livros estão vivos e oferecem a cada um a sua história”. Encontrei esse curta-metragem numa navegação despretensiosa na internet. Assisti, e foram os quinze minutos mais ternos desse início de ano em que a barbárie  e as tragédias praticamente tomaram conta dos noticiários e das nossas conversas do dia a dia.  Quem é leitor, ama os livros e a leitura, com certeza vai se encantar, vai se enxergar pelo menos um pouco no protagonista, o senhor Lessmore, e há de concordar que um pouco de encantamento é muito bem vindo nesses dias.

É uma história simples que une três artes apaixonantes,  literatura, música e cinema, cujo encantamento está nos detalhes esmerados – personagens em preto e branco ganham cores ao ter contato com os livros, por exemplo. A ausência de falas, a bela trilha sonora, assinada por John Hunter, e o figurino das personagens nos remetem aos clássicos do cinema – aqueles grandes musicais em preto e branco.  Aqui e ali há um cutucão óbvio na onda digital encabeçada pelos e-books, que um dia podem transformar o livro físico em um objeto cult.

O filme todo é uma singela homenagem, ou melhor, uma declaração de amor ao livro de papel e à leitura que nos proporcionam emoções e experiências sensoriais inesquecíveis e únicas.  É  um convite a desacelerar mais o uso das novas tecnologias para que possamos mergulhar fundo na leitura de um bom livro. Apesar do ar infantil, “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” é um curta para ser assistido por todos os leitores – crianças, jovens, senhoras e senhores – além de ser uma boa ferramenta para quem trabalha com incentivo a leitura.

Curiosamente, antes de se tornar um curta-metragem de animação, as aventuras do senhor Lessmore foram lançadas em 2011 como um livro digital interativo para iPad (chegou a ser um dos mais vendidos na loja da Aplle). E William Joyce, quem escreveu e codirigiu esse pequeno filme, é ex-animador da Pixar, além de ser ilustrador e escritor.

É possível assistir a versão integral dessa animação pelo Youtube (basta uma simples busca), mas os vídeos podem ser retirados do ar a qualquer momento devido às reivindicações de direitos autorais da Moonbot Studios LLC. Por isso, deixo cá só o trailer.

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Alguns filmes que eu assisti no escurinho do cinema (e que comentei depois em mini-resenhas publicadas nas redes sociais)

Não assisti todos os filmes que eu queria, mas tive boas experiências cinematográficas. Aqui vão algumas desse ano que finda. Que venham outras!

#As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne (The Adventures of Tintin, EUA/Bélgica/Nova Zelândia, 2011) – o ano começou bem. Criado pelo cartunista belga Hergé em 1929, Tintim virou parte da cultura pop do século 20 e estrelou uma animação em 3D dirigida por Steven Spielberg (com produção de ninguém mais ninguém menos que Peter Jackson). Assisti na pré-estreia e a sessão rendeu uma resenha (clique aqui para ler) que foi publicada no caderno Bem-Viver do jornal A Crítica.

#A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, EUA, 2011), de Martin Scorsese, é um filme belo visualmente que resgata apaixonadamente a História do Cinema, mas tem uma história bem entediante. O filme concorreu a 11 Oscars e ganhou cinco, entre eles o de melhor fotografia e o de direção de arte.

Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud and Incredibly Close, EUA, 2011),  do diretor Stephen Daldry, é perturbador e encantador ao mesmo tempo. O filme conta a jornada do menino Oskar Schell (Thomas Horn), que aos 11 anos sofre a morte do pai (Tom Hanks) no World Trade Center (na tragédia das Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001). O menino percorre a cidade de Nova York para descobrir a serventia de uma misteriosa chave, encontrada no armário do falecido pai. Merece uma segunda sessão.

Prometheus (idem, EUA, 2012): aos que procuram emoção, aviso logo, o filme é de muita conversa e pouca ação; o roteiro é cheio de pontas soltas; visualmente bom. Seria “Prometheus” uma desculpa de Ridley Scott para voltar ao universo de “Alien, o oitavo passageiro” ou o início de uma nova “saga”, “trilogia”, ou seja lá o que for, de ficção científica? Ficou a dúvida no ar depois da sessão.

Valente (Brave, EUA, 2012) – das 13 produções lançadas até aqui, esse é um dos filmes mais fracos da Pixar, pois conta uma história banal, sustentada por muitas cenas de ação e de gags físicas. Decepcionante. De marcante mesmo só a cabeleira ruiva da princesa Merida. Sim, de fato, “Valente” é o filme mais “disneyficado” da Pixar. E nem foi preciso a presença de um príncipe encantado para tal alcunha. Como diria o Ted, aquele polvo rosado de “Procurando Nemo” (2003): pena!

O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man, EUA, 2012) – por mais que você se esforce, não tem como não fazer comparações com a trilogia de Sam Raimi lançada há menos de uma década. Não tem mesmo. Drama demais, ação de menos. Na boa, parece mais uma refilmagem dos filmes anteriores que um novo começo propriamente dito. As cenas de ação são, praticamente, versões melhoradas das do “Homem-Aranha” de 2002. O vilão, idem. Narrativa inverossímil demais até para o padrão narrativo de história de um super-heroi.

#Madagascar 3: Os Procurados (Madagascar 3,EUA, 2012) – um pouco de humor nonsense não faz mal a ninguém. O filme é divertido. E só.

Os Vingadores (The Avengers, EUA, 2012) – sem dúvida um dos filmes mais comentados e aguardados do ano. Não é para menos, ver Homem de Ferro, Thor, Capitão América, Hulk, Gavião Arqueiro e Viúva Negra, os herois mais fortes da terra, juntos combatendo o mal num só filme é o “olimpo’ para qualquer um que curte filmes de super-herois. Uma ideia (vá lá) arriscada devido ao excesso de expectativa que se criou em cima desse filme. Valeu muito a pena, principalmente aos cofres dos produtores, já que o longa foi uma das maiores bilheterias do ano. Já para o espectador… Bem, para o espectador,  é um passatempo bastante divertido. O filme consegue usar bem dois ingredientes: humor e ação. O roteiro explora o carisma dos seus personagens à exaustão e mata algumas curiosidades “nerds” (o escudo do Capitão América resistiria a uma martelada do Thor?). Esse, sim, é um bom filme para assistir com a turma acompanhado de um balde de pipoca.

#O filme Quincas Berro D’água (Brasil, 2010), de Sérgio Machado, baseado na novela “A morte e a morte de Quincas Berro D´água” (1961), de Jorge Amado, alia muito bem a crítica social e a qualidade técnica, mas falta aquele humor refinado e o toque fantástico que só a obra tem. O grande destaque do filme é o seu excelente elenco.

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (Batman The Dark Knight Rises. EUA, 2012) – é realmente uma tarefa ingrata tentar achar um filme arrasa-quarteirão com um clima tão sombrio, tão trágico e tão pessimista quanto este. Quase não lembra um filme de super-heroi (principalmente os lançados esse ano) por dissipar o lado glorioso, virtuoso e ufanista das ações deste para se concentrar quase que exclusivamente nas mazelas da sociedade atual – trecho da resenha publicada aqui no blog (clique aqui para ler na íntegra).

#Os Mercenários 2 (The Expendables 2, EUA, 2012) – barulho, barulho, muito barulho por nada. A presença de Chuck Norris valeu o ingresso pelo menos (ou não).

#Busca Implacável 2 (Taken 2, França, 2012) – o filme é praticamente uma repetição do primeiro, embora esse seja um pouco inferior (menos realista), mesmo apostando em cenas de ação mais mirabolantes. É um entretenimento razoável com algumas pitadas de xenofobia e Bryan Mills (Liam Neeson) deixando MacGyver no chinelo. O interessante nessa sequência é o toque de humanidade dado aos vilões mortos no filme anterior – as famílias desses criminosos assassinados buscam vingança caçando o ex-agente. Interessante.

#Frankenweenie (idem, EUA, 2012) – a história é simples, contudo, bem narrada. Há muitos monstros e um sentimentalismo na medida certa para conquistar aqueles espectadores que têm um cachorro em casa. Sobram, também, referências a filmes de terror, que influenciaram o diretor, e filmes de monstros. Escrevi a respeito do filme aqui no blog (clique aqui para ler)

O Hobbit – Uma Jornada Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey, EUA, 2012) –  “o filme é uma continuação da trilogia “O Senhor dos Anéis”?” foi a pergunta que mais ouvi na fila do cinema. A resposta é: “não”.  A aventura se passa 60 anos antes de “saga do anel” e segue a jornada épica de Bilbo Bolseiro para recuperar o Reino dos Anões de Erebor do temido dragão Smaug.  O fato de algumas cenas do filme serem demasiadamente longas (até dispensáveis), a chegada de novas tecnologias, como o 48 frames, que dá uma fluidez maior de movimentos e melhor qualidade de imagem e a ideia difícil de engolir de um romance curto ser transformado numa trilogia (“dinheiro, precioso, dinheiro!”), tornaram-se apenas detalhes. Velho, na boa, foi bom ter voltado à Terra Média!

# Encerrei o ano no cinema assistindo O Impossível (The Impossible, Estados Unidos/Espanha, 2012) no dia 26,  exatamente 8 anos depois que o tsunami atingiu a Tailândia (a tragédia aconteceu no dia 26 de dezembro de 2004). Este longa é uma grata surpresa do diretor espanhol Juan Antonio Bayona,. O filme é bem impactante, carregado de emoção, mas sem pieguismo. A direção de arte e os efeitos visuais são impecáveis. O roteiro é hábil – mal a família de cinco pessoas se instala no resort, a onda gigante chega destruindo tudo e separando-os tragicamente – mãe e filho mais velho de um lado; pai e os dois filhos mais novos de outro. A luta pela sobrevivência daquelas pessoas é algo capaz de mexer até com os corações mais duros, ainda mais quando ficamos sabendo que o filme é baseado na história real de uma família espanhola.

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Frankenweenie e a lembrança do meu primeiro cachorro

Após assistir à animação Frankenweenie (idem, EUA, 2012), o mais novo trabalho do diretor Tim Burton, lembrei imediatamente do meu primeiro cachorro: ele se chamava Teco. Eu tinha sete anos de idade quando meu pai trouxe o Teco para casa,  um típico vira-lata de pelos marrons escuros. Era baixinho, mas valente – ai do estranho que ousasse atravessar o muro baixo e sem portão da minha casa! Como todo bom vira-lata, latia para carros e morria de medo de fogos de artifício. Foi numa dessas valentias que ele morreu atropelado por uma kombi, depois de apenas alguns meses conosco. Soube da fatídica notícia assim que cheguei da casa da minha avó.

“O Teco morreu atropelado pela kombi do vizinho, mas ele não teve culpa nenhuma, o Teco que correu  na frente do carro”, foi assim, segundo a versão oficial do meu pai. Lembro de ter sentado no sofá, sério, e de ter derramado duas lágrimas ralas. Não cheguei a vê-lo morto. Quando eu soube da notícia ele já estava enterrado no quintal de casa; no seu túmulo improvisado havia uma cruz torta feita de galhos de goiabeira e linha de costura. Foi o meu primeiro contato com a morte de um ser vivo próximo.

O protagonista do filme, o garoto Victor, passa por uma experiência semelhante. Ele está tentando jogar beisebol para agradar o pai quando o cão dele, Sparky, é atropelado por um carro (nada tão cruel. A cena chega a ser singela). Deprimido, Victor tenta ressuscitá-lo com parafusos e  a energia de raios. Dá certo. No entanto, com a proximidade da feira de ciências da escola, os colegas invejosos de Victor descobrem a experiência e tentam imitá-la para reviverem os seus bichos de estimação, mas acabam transformando-os em monstros. Pronto, o caos está instaurado na pacata cidade.

A história é simples, mas bem narrada. Há muitos monstros e um sentimentalismo na medida certa para conquistar  os espectadores, principalmente aqueles que têm um cachorro em casa (ou já sentiram a dor de perderem um bicho de estimação). Sobram, também, referências a filmes de terror, que influenciaram o diretor, e filmes de monstros (Godzilla e Jurassic Park, por exemplo). O próprio título do longa, Frankenweenie,  é uma referência clara ao monstro do cientista Frankenstein, criado de parte de cadáveres e que ganha vida por meio da energia de raios.  Os personagens secundários são engraçados e esquisitos (nada anormal para quem já está acostumado com a filmografia de Tim Burton) – destaco a menina dos olhos sempre arregalados, dona de um gato que costuma fazer, hum, “cocôs proféticos”.

A história que cerca a produção desse filme é bem interessante. Em 1984, o então aspirante a cineasta Tim Burton foi demitido da Disney após gravar um curta-metragem infantil sombrio demais para as crianças. O mundo dá voltas e, quase 30 anos depois, ele foi chamado pelo mesmo estúdio para retomar o projeto. Assim nasceu Frankenweenie, longa preto e branco, gravado em 3D e em stop motion.

Tim Burton merece elogios por apostar numa animação que une drama e humor de uma maneira singela e ao mesmo tempo densa, embora, infelizmente, muitos torçam o nariz para a ousadia do cineasta ao optar pela estética visual em preto e branco em plena era tecnológica – ainda mais agora com a chegada de novas tecnologias, como o 48 frames por segundo usado no filme O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, de Peter Jackson, que dá uma fluidez maior de movimentos e melhor qualidade de imagem.

Quem já é fã do Tim Burton vai rir, vai identificar as referências, enfim, vai gostar.

Luiz

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