Arquivo da categoria: poesia, agora?!

solidão de reis

todo
mundo
quer
ter a
beleza
da propaganda

mas a vida real não engana:
somos plebe,
nem rainha nem rei.

aceita e ama o que vês
ou à solidão viva entregue.

Luiz

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Da inteireza

Põe quanto És no Mínimo que Fazes

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.

Fernando PessoaSê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis, in “Odes”
Heterônimo de Fernando Pessoa

 

Aprecio a inteireza: pessoas inteiras, amores inteiros, sorrisos inteiros, olhares inteiros, palavras inteiras, abraços inteiros, conversas inteiras, escolhas inteiras, atitudes inteiras. A vida por inteiro enfim. Nada pela metade.

Uma dica que vale para uma vida toda é não aceitar nada mais nada menos que a reciprocidade. Recuse as migalhas. Abrace a totalidade de tudo. Sempre.

Porque a vida é assim: inteira. Não permite metades, mais ou menos e nem meio termo. Não é possível viver em doces e suaves prestações. Ou vive ou não vive. Tampouco é possível parcelar a vida. Tudo deve ser vivido à vista ou nada feito.

Conosco não é diferente. Não podemos completar ninguém. Cada pessoa tem de buscar, por si só, completar-se. E somente quem é inteiro pode encontrar outros inteiros. Até porque ninguém tem a obrigação de satisfazer as expectativas de ninguém. Apenas somos acrescidos de benefícios e aprendizados na convivência com um outro, e de experiências acumuladas ao longo da vida.

Ser inteiro não significa necessariamente ser completo (finalizados), o que seria uma utopia, pois somos todos uns eternos aprendizes. E a busca por sermos cada vez mais inteiros e pertencentes a nós mesmos não tem pausa, assim como a vida não tem, e só finda mesmo quando cerramos os olhos pela última vez.

Somos e devemos, sim, ser inteiros, partes de um todo e partes de muitas outras coisas, mas que sejamos sempre partes inteiras.

Luiz

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Ciclo

Passamos a semana ansiando pela sexta-feira.
Ela finalmente chega
e não acontece nada demais.
Prometemos não mais criar expectativas.
Aí chega a segunda-feira
e voltamos a desejar a sexta.

Mania de contar grãos de areia!

Luiz

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Amigos, amigos…

Talvez um dia deixemos de nos falar…
Mas enquanto houver amizade
As pazes serão feitas.

Um dia o nosso tempo vai passar…
Mas se amizade ainda houver
Um do outro há-de lembrar.

Talvez um dia a gente se afaste…
Mas se amigos somos de fato
O reencontro está assegurado.

Um dia daqui vamos embora…
Mas se sobrar amizade
dá tempo prum dedo de prosa

Um dia tudo tem fim…
Infância, xingamentos ternos,
caminhadas despretensiosas, tempo sobrando,
mesmas paqueras, lembranças afins…

Só não tem fim aquela dívida de sempre,
esquecida pra não findar a amizade.

Luiz

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Às avessas

E forma arredondada = seixo
o sol poente com quem amamos
um objeto em torno de um eixo
inesperado a quem gostamos.

As palavras elegantes
são muito mais interessantes
tem pouca ou nenhuma importância
de buracos amarrados com barbante.

De pernas frias. 3- é quarta-feira
eu me importo mais. Sério
apanhado com a rede. Bebedeira
próprios programas até hoje
toda a minha segunda-feira.

 

Esquisito? É tudo culpa do Poetweet (aqui), que põe em prática, à risca, o Dadaísmo – movimento vanguardista do começo do século XX, que não tinha compromisso nenhum com o sentido.Pra entrar na brincadeira basta ter uma conta no Twitter.

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Banal

Eu e meus rabiscos durante uma jogatina dos amigos (16/01/2014).

 

 

Há beleza no banal, sim, senhora!

Não fosse isso não existiria a crônica,

nem os cronistas,

nem esses poetas de rua

dos muros enlodados.

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Gentes

Gosto de gente que troca o siso pelo riso
sem tremer a pele.

Gosto de gente que se reúne
pra cear por qualquer motivo.

Gosto de gente que transforma o banal
num filme do Gene Kelly.

Gosto de gente que não venda
nem o choro nem o sorriso.

Gosto de gente que descomplica
a vida.

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