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Manual do bom político vazio

Quanto menos um político tiver o que propor de relevante mais falará de moral, família, deus, pátria. Conceitos amplos que mobilizam afetos, atiçam paixões, hipertrofia ódios ocultos nos recônditos da alma de algumas pessoas.

Esses tais ‘messias de gravata’ falam de políticas públicas, ajustes econômicos, reformas política e tributária, urbanismo, saúde pública, educação, investimentos em ciência e tecnologia? Não! Podem reparar! O assunto é só deus, família, pátria, moral.

A estratégia é clara: em muleta discursiva que mantém esses distintos em alta não se mexe.

Se por acaso, em uma realidade paralela, baleias despertassem o interesse das massas, adivinha, eles só falariam de baleias.

Simples assim.

Luiz

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Roda viva dos medalhões

Tudo começou com o Gilberto, o pai-de-todos, que criou o Amazonino, o-que-já-foi-tudo, que criou o Eduardo, que se voltou contra o seu criador em dado momento, e se juntou ao Serafim, que havia perdido a prefeitura para o Alfredo, outra cria do Amazonino, que na eleição seguinte também derrotou o Eduardo, que voltou aos braços de Amazonino no outro pleito e teve Omar como vice, que também foi vice de Alfredo, que rompeu com ele e se juntou ao antigo adversário Serafim, e os dois perderam pro Omar, vice-de-todos-eles, que jogou no palco o Melo, que foi peitado por Marcelo, que levantou a voz para todos os outros, mas acabou se juntando a Eduardo, que tinha Rebecca como vice quando perdeu pro Melo, que saiu de cena e deu lugar ao David, que está com a Rebecca, que agora tem como adversário o antigo aliado, Eduardo, que está contra o seu criador Amazonino, o nosso Dom Sebastião.

Ficou tonto?
Pois é.
Em círculos caminha a política amazonense.

Luiz

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Eleição no divã

O bom do segundo turno nas eleições é ter mais um pouco de tempo para pensar bem até encarar o escurinho da cabine eleitoral para, definitivamente, escolher os próximos governantes.

Como já havia escrito nesse espaço, antes de escolher um candidato (ao Executivo ou ao Legislativo) é preciso disposição para uma investigação minuciosa a respeito deles: o que pensam, o que propõem, o que fizeram até aqui. Contudo, há muitos obstáculos, entre eles os muitos discursos embrulhados em papel celofane a encher os nossos sentidos.

A impressão que fica desse período eleitoral é que o marketing tem mais relevância que as ideias. O que importa é a embalagem, não as propostas. Os slogans e a falácia tomam o lugar dos argumentos. E ficamos reféns das promessas vagas e da desinformação promovida pelos marqueteiros.

Sendo assim, é arriscado escolher um candidato baseado apenas pelo que dizem no horário eleitoral “gratuito” ou nas redes sociais – cujo objetivo nem sempre é retratar a realidade, mas exaltar um candidato e desconstruir o adversário, transformando um momento que deveria ser de discussão de propostas em uma estridente “gincana colegial”.

Infelizmente, o debate político para muitos significa “idolatrar o próprio lado” e xingar muito quem pensa diferente – exatamente como fazem os fanáticos por clubes de futebol nas tardes de domingo. Encarar o debate político como um “fla-flu” equivale, na prática, a negar o debate político. A estridência não nos leva a lugar nenhum. Como diz uma famosa paráfrase de Renato Russo que circula por aí há algum tempo: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse eleições”.

Os próprios candidatos (que deveriam dar o exemplo – risos) atiçam a estridência do dito “eleitor cordial” (que usa mais o coração que a cabeça) ao usarem os seus espaços na propaganda “gratuita” e nos debates televisivos para promoverem as suas “briguinhas de pátio”. E, mais uma vez, o que prevalece é a lógica da construção da própria imagem e da desconstrução do adversário – e para isso vale tudo: tirar falas do candidato adversário do contexto, destacar contradições (que todos nós temos) e, sim, disseminar mentiras e boatos até. Por isso, a sensação que fica no ar é que a pior época para se informar a respeito dos políticos é essa (a eleitoral). E é mesmo.

Quem sai perdendo nessa disputa entre quem faz a propaganda mais eficiente é o eleitor – eu e você que sabe melhor do que ninguém o que precisa melhorar em nosso país, em nosso estado – que acaba tendo dificuldades em votar nos candidatos que mais se aproximam de um projeto consistente de país, de estado.

O Brasil e o Amazonas (minha terra natal) precisam de projetos de longo prazo, que independem de partidos e ideologias. Não vejo isso na propaganda “gratuita”, e muitas vezes nem na mídia que insiste em manter uma imparcialidade ilusória nesses tempos eleitorais.

Resta-nos votar. Mas não basta votar, tem de cobrar, questionar, investigar, e é isso que anda em falta em nós enquanto sociedade. O questionamento, caro (e)leitor, é fundamental para o início de um processo de mudança, especialmente antes e também depois da escolha dos nossos representantes.

É bom lembrar: o Brasil não acaba depois do segundo turno.

Luiz

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…Vote…

Cartum: Ribs

Estamos às vésperas das eleições nacionais e estaduais e os candidatos já estão afinados em seus cantos de sereia e discursos azeitados. Nenhuma novidade até aqui. Votar não é mesmo um ritual simples para quem leva a sério a própria cidadania. Quem encontra um bom candidato, encontra boa coisa, mas para isso é preciso disposição para uma investigação minuciosa o que, convenhamos, a maioria dos eleitores não têm. Muitos deles já taparam os ouvidos e fixaram a ideia de que todo político está mais preocupado com as próprias finanças, em fazer do cargo um emprego vitalício e em continuar tratando o público como privado. Não lhes tiro a indignação. Os escândalos transbordam de tempos em tempos. Sufocando de frustração um povo tão carente de referências.

Os novos velhos candidatos estão na vitrine de olhos graúdos e lacrimejantes. Casando-se e dando-se em casamento, traindo para se reconciliar depois, quando a eleição passar e a areia sentar no fundo do rio com cada grão em seu lugar. Os bons candidatos que, talvez, tragam uma lufada de novidade estão escondidos por trás dos refletores. Assim como os candidatos  ainda sem as manhas das raposas felpudas cansadas de guerra. Quem os achará? (… Resposta mental).

De todos os tipos que já desfilam por aí, o mais tragicamente risível são aqueles candidatos que já sentaram na cadeira do poder durante muito tempo e governaram seus barrancos com mãos de ferro, mas andam pelas ruas com asas angelicais de papelão, desfiando uma fala do tipo: “as coisas estão muito ruins, mas comigo tudo vai melhorar”. Um tiro no pé que, certamente, a embalagem em papel de seda forjada por uma equipe de marketing muito bem remunerada esconde dos mais desatentos.

No entanto, as eleições estão às portas. Dia de fazer a faxina nas casas do povo. Sei que alguns eleitores varrerão a sujeira pra debaixo do tapete ou venderão o próprio voto a preço de banana. Mas também sei que tantos outros levarão o ato a sério. Aquele fiapinho de esperança não me deixa esmorecer. Nas palavras do saudoso Ariano Suassuna: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”.

Não desperdicemos a chance, portanto. Chegou a hora de o gigante acordar, escovar os dentes e ir votar. Há de ser bom.

Luiz

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